sexta-feira, 17 de setembro de 2010

De mãos atadas...

A casa onde eu morava em Coimbra, nos últimos anos, tinha uma vista altamente privilegiada sobre a cidade.
Costumava lá passar horas na conversa (especialmente à noite...iluminada era brutal) até que um dia os meus olhos recaíram sobre a prisão.
A rapariga que estava ao meu lado às tantas diz: "Sara, já viste...ali na prisão...deve ser horrível!" e eu só respondi: "obrigada por me lembrares que se calhar um dia ainda mando alguém para lá!".
Isto passou.
No último ano de licenciatura, tive oportunidade de visitar a prisão. Se duvidas havia quanto ao ramo que queria escolher, dissiparam-se naquela altura. Ramo criminal, não! Detestei! Foi horrível!
Todo o ambiente pesado que se vive lá dentro, portas enormes e trancadas atrás de outras tantas iguais, o ar carrancudo dos guardas, os presos uns por cima dos outros, as piadas sem piada dos prisioneiros para nós mas sobretudo dos guardas para os prisioneiros, etc!
Tocou-me especialmente um rapaz de 20 e tal anos, que estava ali alegadamente por: "homicídio entre outros!" Foi-nos dito que estava condenado a 25 anos de prisão, mas que era super cooperante, activo e que certamente sairia mais cedo! Era alguém, diria eu, normalissimo! Afinal de contas, até nos apertou a mão! Se um dia passasse por ele na rua, nunca diria que era um homicida! Não tinha mau aspecto, antes que pelo contrário, o rapazito não era feio! Era alguém com quem me cruzaria na rua sem qualquer tipo de problemas!


Hoje cruzei-me na rua com 2 ou 3 presos com algemas e mais uns quantos guardas. O meu olhar cruzou-se com eles!  Arrepiei-me! Pensei: "o que fizeram para estar lá dentro?" Fez-me confusão vê-los de algemas! era como se tivessem de mãos atadas perante a vida! Não são pessoas iguais a mim, feitos à imagem e semelhança de Deus e amadas por Ele?
Mexeu comigo e pronto!

3 comentários:

cathy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
cathy disse...

Acredito que tenha mexido contigo!!!Pois este teu texto, mexeu comigo ao imaginar-me nessa experiência.

E mais... essa fragilidade em reconhecermos todos verdadeirmente como irmãos, amados pelo mesmo Pai, transformados pelo amor inerente ao arrependimento tb mexeu... mas o que fazer, quando na ausência do bem, não há arrependimento? assusta-me, sabes...

Cidchen disse...

São coisas vida. Um dos meus sonhos de pequena era ser polícia, gostaria de conviver com essa gente. Meter na ordem que não se porta bem, e deixar sair quem se comporta em condições. :P